quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Dia de Amigos

Era só para lembrar os amigos de agora e de sempre neste seu/nosso dia... Faz hoje um ano que partiu o amigo Artur! Até sempre!

Para os amigos e amigas deixo esta proposta:
http://extra.waag.org/users/aske/moviez/sicaf_sand.wmv

El Greco

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

"Rês e caldo" eleitoral

No actual contexto político, a notícia que se destaca nesta semana é, como não poderia deixar de ser, o roubo de um sino de 350 Kg da igreja de S. João da Azenha, perto de Sangalhos. Esta, seguramente, é a notícia mais elevada - o sino encontrava-se a 10 m de altura - e de maior peso a nível nacional - reparem que o sino tinha 350 kg – a qual, infelizmente, apenas mereceu destaque na TVI (ainda dizem que esta não cumpre serviço público) e no Diário das Beiras.

1 - Outra notícia, não menos importante, refere-se ao desempenho do Aníbal nestas eleições. Não por ter alcançado qualquer feito especial, mas por ter causado uma considerável mossa no carro que o transportou durante a campanha eleitoral. O bate-chapa disse mesmo que não vai ter contemplações quando apresentar a conta. Então é assim que o agora presidente pretende dar o exemplo de contenção nas despesas: subir para cima dos carros? Caro leitor, quando o homem vier à terra fazer uma visita será melhor não ter o seu carro por perto!
A propósito, no seu “empolgante” discurso de vitória - a noite estava fria, via-se o ar quente a sair da boca esfíngica e austera - manifestou toda a sua disponibilidade para gerar consensos com o Governo – e “mossas” - com um “espírito leal, de cooperação e de entreajuda". Como vê, Sr. Primeiro-ministro, além das duas muletas que já tem, vai ficar agora com uma terceira: sempre valeu o seu esforço!
O Silva disse, ainda, que as pessoas vão estar no centro da sua acção. O primeiro a sentir isso mesmo - e toda essa sensibilidade - foi o presidente do CDS/PP quando lhe foi oferecer uma garrafita de espumante. Cavaco ter-lhe-á mesmo perguntado: “E as gajas… onde estão?! Ah, grande malandro, vamos festejar, dá cá um abraço!

2 – Já Manuel Alegre foi apoiado por um milhão de pessoas, isso significa que …bem, o que é que isso significa? Ah, sim, que foi uma lição da cidadania e talvez um forte contributo para a “renovação” política. Portanto, foram precisos 30 anos para este político profissional ter visto que os partidos são uma treta e ter confirmado que “há vida fora dos partidos” (oh se há e de que maneira!). Mas mais vale tarde do que nunca. Entretanto, o poeta vai continuar por lá, no aconchego da Assembleia e do seu partido. Não vai desistir!
O Dr. Mário Soares, apesar da derrota, também não desiste. O seu discurso - muito bom, diga-se de passagem – só nos preocupou quando afirmou: “este combate cívico não termina hoje. Em democracia perdem-se e ganham-se eleições. Só é vencido quem desiste de lutar. E eu não desisto de lutar.” Mas tu queres ver que este homem passou-se de vez?! Tu queres ver que ele já se está a preparar para uma próxima candidatura? Por este andar nunca mais vamos ter um limite para a idade da reforma!
Dizem as más-línguas que Sócrates interrompeu propositadamente o discurso do poeta, mas foi mentira, o poeta – que não tinha as “muletas” do Sócrates – é que se intrometeu assim sem dar “cavaco” e, claro, já se sabe, para as televisões era uma decisão difícil. Seria muito grave não ouvir o primeiro-ministro. A sério?!...

3 - Por falar em televisões, todas elas estiveram muito bem com os seus estúdios recheados com modernas tecnologias: a RTP majestosa na apresentação, a SIC, dinâmica e viva na emissão e a TVI, ai meu Deus Manuela e mais não dizemos.
Uma nota final para os restantes ex-candidatos: achamos que, pelo menos, a sempre candidata “abstenção” merecia ter ido à 2ª volta.
Para acabar como começámos, destacamos, já agora, em termos de resultados regionais, a derrota da brucelose bovina, cuja taxa de incidência tem vindo a recuar na Região nos últimos quatro anos…
In Azórica Nº 37, Jornal dos Açores, Edição de 28 de Janeiro de 2006

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Ensaio sobre os saldos


Os Tunalhos revelam hoje a resposta a uma pergunta que atormenta as mulheres há séculos: “Porque é que os homens têm fobia a saldos?”. É verdade, temos aversão às promoções, mas não pelas razões que julgam. É bem mais simples do que parece.

1- Qualquer macho alfa que se preze começa a sentir, por esta altura, uma ameaça no ar. Os primeiros arrepios surgem em Dezembro, mas não sabemos bem porquê. Poderia ser do frio, uma gripe, antes fosse! Mais para o fim do mês, os arrepios tornam-se numa ansiedade torturante. É algo que nos transcende… sabemos, apenas, que está lá. Até que o nosso cérebro é abalroado com a força de um camião e percebemos a raiz do nosso medo: os saldos começaram!
Seguem-se depois as tardes e serões infindáveis com as respectivas senhoras, nas lojas amontoadas de peças pelos cantos e com as empregadas a correr, feito loucas, para tentar manter a ordem. Há mesmo empregadas que se atiram desesperadas de cabeça para os amontoados de roupa e desaparecem para nunca mais serem vistas.
Todos conhecemos aquela sensação de passar três horas nos saldos. E quando, por exemplo, elas encontram o casaco que sempre desejaram? Há sempre aquele momento: “Espera lá! Este casaco é azul-escuro! O que eu queria era um azul-escuro, marinho bebé clarinho amarelado! E 2 euros por um casaco de pele? Tão caro! Não levo!”.
Qual o nosso papel no meio disso tudo? Simples: levar a mala das senhoras num braço e segurar, no outro, as roupas que elas não vão comprar, porque vão ficar ainda mais baratas para a semana…

2- As senhoras admiram-se muito pelo facto dos homens não apreciarem os saldos. É já um mito tornado realidade: de facto, os homens têm fobia a saldos, mas não é pelas razões que julgam. Explicamos já porquê com este belo exemplo: a namorada de um dos Tunalhos, no outro dia, com 55 euros comprou cerca de dez peças de roupa, e estamos a falar de casacos, saias, calças, etc. e tal. O Tunalho em questão, com os seus 55 euros, comprou umas calças de ganga e um par de boxers… (estes sem qualquer “novidade”)
Conclusão: não existem saldos para homem! Os preços, simplesmente, ficam “menos caros”. Umas calças que custavam 45 euros (que já é dose), passam a custar 30 euros nos saldos… Por sua vez, umas calças de senhora que custavam 45 euros, passam a custar 5 euros! Isto sim, é uma boa razão para passar um fim-de-semana inteiro nos saldos!
Por isso não nos podem apontar o dedo por não percebermos a euforia por detrás das promoções: não a percebemos porque nunca a sentimos na pele, não conhecemos a felicidade de fazer um achado, de comprar aquele casaco que sempre quisemos por 7.99 euros! Percebem agora? Ora aí está, mais um mito desfeito! Venham lá agora falar em igualdade de sexos!

3 - No sábado passado, junto ao Coliseu, vimos dezenas de pessoas numa fila, mas não era para saldos! Novos e velhos, grandes e pequenos, uma massa de indigentes, ao frio, durante toda a noite. Pensámos que era uma manifestação dos sem abrigo e numa atitude solidária fomos para a fila. Até fizemos alguns cartazes de ocasião: “Dêem comida a quem precisa”; “Só queremos é trabalhar”; “Abaixo a crise”. As pessoas começaram a sair do local só na tarde de Domingo, altura em que alguém se dignou a aparecer para dizer: “individual, 40 €; mesa de pista, 250; 1º balcão 375 €”… e, pasme-se, os pelintras tinham e davam o dinheiro! Era para o Baile de Carnaval!
Nós estamos em crer que um Micaelense só se sente verdadeiramente realizado, se for, nem que seja uma só vez na vida, a um baile no Coliseu. “Sr. Medeiros, você está entrevado, não pode trabalhar, mas está-me a dizer que prescinde do Rendimento de Inserção Social, em troca de uma entrada no baile do Coliseu… para si, para a sua Iola e para os seus 6 filhos…né?

P.S - Vá lá, ide ao baile, toca a gozar tudo agora, afinal daqui a 10 anos já não vai haver dinheiro nem para reformas!
In Azórica, Nº 36, Jornal dos açores , ediçãode 21 de Janeiro de 2006

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

A "cultura da seca"

Fomos acusados de não termos feito o nosso inteligente balanço do ano findo. Nós não vamos em seguidismos nem cedemos a pressões de nenhuma espécie e por isso mesmo… vamos fazer-vos a vontade, apenas e só porque insistiram! A nível regional o nosso destaque em 2005 vai para o desenvolvimento cultural de S. Miguel. A nível nacional, destacamos a seca.


1 - Fomos acusados de não termos feito o nosso inteligente balanço do ano findo e de não termos, sequer, aventado qualquer prognóstico para o ano que agora começa. Meus amigos, sabemos que isso é o que toda a gente faz e nós não gostaríamos de profligar (o dicionário estava aberto… é o que dá) os outros comentadores com a nossa proficiente visão das coisas - isto apesar desses outros comentadores sofrerem de sofomania, ou seja, terem a presunção de saber muito (bem, este primeiro parágrafo com duas ou três palavras de cem € já é digno de constar nos manuais de Língua Portuguesa).
Por outro lado, nós não vamos em seguidismos nem em pressões de nenhuma espécie e por isso mesmo… vamos fazer-vos a vontade, apenas e só porque insistiram! Vejam lá se não somos originais!

2 - A nível regional o nosso destaque em 2005 vai para o desenvolvimento cultural de S. Miguel, graças ao dinamismo das duas casas de espectáculos de Ponta Delgada. Não desfazendo a dinâmica própria das outras ilhas - nomeadamente da Terceira que já há muito tempo vinha dando cartas na cultura regional com o seu “Património Mundial”, o jazz, os concertos íntimos, as touradas, os bailinhos e as sanjoaninas (que em 2005 foram mesmo um estrondo… de verbas) -, não tenha dúvidas, caro leitor, que os micaelenses nunca ouviram, e/ou viram, tanta música erudita, ópera, ballet clássico, misturado, claro, com raves, circo e santos populares.
Deixaram mesmo de gastar dinheiro para ir ver o Santa Clara e preferem ir gastá-lo num Concerto de Ano Novo ou num concerto de “Reis”. Tchaikovsky foi, provavelmente, o compositor mais ouvido no ano transacto, com a “Bela Adormecida” e “Quebra-Nozes”, repetindo-se a receita, ontem e hoje, com “O Lago dos Cisnes”. É tudo um conto de fadas!
Reparem que são bons ventos que vêm de leste! Não vêm só médicos e engenheiros “trolhas” ou arquitectas “da noite”. Mas o maior espectáculo cultural está previsto para o dia 9 de Fevereiro de 2006, no Coliseu, com o “proeminente” Jantar de Amigas, no qual se perspectiva a maior concentração regional de úteros por metro quadrado.
Venha daí o “Açores Capital da Cultura”.

3 – A nível nacional, em 2005, destacamos a seca. Foi a seca propriamente dita, mas também a seca dos incêndios provocados pela seca, a seca dos congelamentos da progressão das carreiras, a seca do aumento dos impostos… No essencial, foram as mentirinhas de seca do Primeiro-ministro que provocaram na população portuguesa uma carga de energia negativa tão elevada que, ao jeito de macumba colectiva, estiveram na origem da sua queda na neve e é ela que lhe vai oferecer o Presidente da República que ele menos queria.
2006 vai ser igual: uma seca. O presidente do Instituto da Água avisa mesmo que “se não chover bastante nos próximos tempos”, vamos ter todos que nos render ao vinho e à cerveja. Já estamos a senti-la: não, não é a cerveja… é a seca do aumento, acima da inflação prevista, do preço dos bens de consumo como a electricidade, os transportes, o tabaco, a seca da previsível subida das taxas de juros e da mais que certa descida do poder de compra.
Vamos ficar todos secos e tesos. Inclusive já foi anunciado pela ONU que 2006 será o Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, isto apesar do destaque internacional, em 2005, ir para as calamidades naturais com água à mistura: as cheias, os furacões, as ondas gigantes e, claro, os sismos… aqui, ali e acolá! A propósito, o Continente agora também nos quer fazer concorrência nessa cena dos sismos?!...

P.S – Parabéns à UAç pelos 30 anos de vida e que não lhe falte terra firme, ar saudável, água limpa, nem fogo ameno…
In Azórica nº 35, Jornal dos Açores, Edição 14 Janeiro, 2006

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Crónica semana passada

São três os pontos de destaque que nos merecem a atenção esta semana: primeiro, as doze badaladas; segundo, as mesas com quatro pernas e uma toalha branca; e terceiro, os dias de tolerância. Mas vamos por partes.


Antes de mais, um bom ano de 2006 para todos os nossos leitores (Zé, Narciso e Paulinho) - os Tunalhos desejam a todos que este novo ano tenha... tenha o quê?... Ah, os Tunalhos desejam a todos que este novo ano tenha p'raí uns 365 dias!
Assim encetamos esta semana porque, está claro, nenhum artigo escrito nesta época ficaria completo sem começar por votos de bom ano novo.
Avançando para a frente, são três os pontos de destaque que nos merecem atenção esta semana: primeiro, as doze badaladas; segundo, as mesas com quatro pernas e uma toalha branca; e terceiro, os dias de tolerância. Mas vamos por partes:

1 - Não nos cabe na cabeça! Já repararam que passamos 12 meses do ano (desde o dia 1 de Janeiro, até 31 de Dezembro) à espera que o ano acabe? E para quê? Para ir para o Réveillon, ou, como se diz em português, para o Rebelião. Ou seja, são 365 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos, 31.536.000 segundos que passamos à espera das doze badaladas e depois - pimba! Já está. Comem-se umas passas (ou dá-se umas passas, consoante as preferências) e pronto, já acabou. Venham mais 12 meses à espera...
Já agora, é impressão nossa ou o fogo de artifício começou uns 10 minutos antes da meia-noite? E já agora também, é impressão nossa ou o fogo de artifício este ano foi mais “fraquinho”? Aliás, haviam mais explosivos nas mãos das crianças na Marginal do que na doca.

2 - Quando nos pediram 50 euros por pessoa para comprar uma mesa na passagem de ano no Coliseu, achámos que as mesas deviam ter qualquer coisa de especial para justificar aquele preço. Mas não! Quando chegámos à dita mesa... nada! Absolutamente nada. E foi então que pensámos: "Andam os alunos da Universidade dos Açores com problemas de emprego, quando a solução era simples: acabar com os cursos que há agora (Biologia, História, Línguas, Serviço Social, etc.) e abrir o curso de Carpintaria, Especialidade em Mesas de Coliseu!". Isso é que era fazer dinheiro.

3 - Por falar em fazer dinheiro, falta referir que achamos bem os dias de "tolerância" que foram dados à Função Pública e outros sectores privilegiados. Achamos bem, porque o país está bem, sem desemprego, e os índices de produtividade estão tão elevados que, se não fossem os dois meses de férias, os 22 feriados, as "pontes" e as "tolerâncias", ainda morríamos afogados em dinheiro...
Crise? Quem falou em crise?
In Azórica nº 34, Jornal dos Açores, Edição de 07 Janeiro , 2006

Almoço Reis Tunalhos



Este foi o forno de lenha que fez o almoço de reis dos tunalhos...

... comeu-se borrego!

Maria Flor, o que é que estás a fazer aí? Por acaso não viste os teus irmãos, pois não?

El Greco

sábado, 31 de dezembro de 2005

Agarra o momento!

Caro leitor, foram “caquilhões” de mensagens, mas as operadoras não querem falar nos lucros - nem as ouvimos falar das inúmeras, eventuais, pouco prováveis, inexistentes mesmo, campanhas solidárias … nem um cêntimo, por euro ganho, para a cruz vermelha ou para a Ami. Ah, pois, “ami, ami negócios à parte”...

1 – Mais uma notícia de regozijo: um novo recorde histórico foi estabelecido pelos portugueses entre os dias 22 e 25 de Dezembro com o tráfego de mensagens escritas (SMS) e multimédia (MMS), de acordo com os dados fornecidos pelas operadoras de telecomunicações móveis. Caro leitor, foram “caquilhões” de mensagens, mas as operadoras não querem falar nos lucros - nem as ouvimos falar das inúmeras, eventuais, pouco prováveis, inexistentes mesmo, campanhas solidárias … nem um cêntimo, por euro ganho, para a cruz vermelha ou para a Ami. Ah, pois, “ami, ami negócios à parte”, preferem dizer, ou ainda “Até já”, ou então “Vive o momento. Now!”, vive agora, consome(-te), diverte-te, palhaço, com o envio de mais uma mensagem daquelas …das renas que se estamparam ou do Pai Natal que se atrasou porque esteve a fazer amor com a sua Maria , a Mary Christmas. Portanto, caro leitor, “Segue o que sentes”, ou seja, pega no instrumento… de 3ª geração (ou não) e “fala, ouve, vê, inspira-te, escreve, joga, filma, fotografa, envia, experimenta e sente” e o resto logo se vê. Quando deres por ti já a tua companhia está enrolada a dormir e o momento foi-se. Mas não faz mal, a vida continua e o futuro está muito longe para ser vivido ou sequer planeado.

2 - Possuídos por uma inspiração reaccionária – aqui está, estamos a seguir o que sentimos –, propomos que se acabe de vez com este absurdo! Logo mais, não vamos mandar mensagem nenhuma àqueles amigos a quem não ligamos patavina durante o ano – até porque de certeza que já a enviámos na semana passada. Não lhes vai acontecer nada de mal e se alguma coisa lhes acontecer, já se sabe que a desgraça chega depressa ao nosso conhecimento. Os nossos amigos vão certamente passar umas festas agradáveis e o ano novo vai ser muito próspero com o 1,5 % de aumentos, anunciado pelo governo, que representa uma diminuição do poder de compra e do salário real, mas perfeitamente capaz de fazer face às exigências do país irreal de que falávamos numa crónica atrás.

3 - Por isso, mais logo, vamos todos tentar bater um novo recorde: não enviar mensagens nenhumas e vamos curtir a noite. Primeiro dirigimo-nos a uma caixa Multibanco e como no dia a seguir já sabemos que vamos ter mais dinheiro (o tal 1,5%), vamos tentar ultrapassar o outro recorde conseguido na semana passada:1,5 milhões de operações de levantamento em Multibanco que totalizaram 115 milhões de euros em todo o país, só no dia 23 de Dezembro. Vamos viver o momento, afinal a crise nunca existiu. São muitas as ofertas disponíveis em Ponta Delgada para passar umas horas divertidas e fazer desejos de ano novo – mas sem SMS. Temos, como primeira hipótese, o aconchego do lar, que normalmente fica em conta e não precisamos de nos levantar do sofá para trazer o carro. As Portas da Cidade também são uma boa opção, local bem animado, concorrido e barato, se bem que aconselhamos que faça um seguro, não vá levar com um foguete very light bem no meio da testa. Este ano vai haver uma novidade: um grande espectáculo musical com fogo de artifício – parece que o céu fica colorido… é bonito! Se tiver dinheiro, - cá está, o 1,5% vem a calhar - , poderá dirigir-se ao grande baile do Coliseu, ou ao requinte dos clubes e dos hotéis. Mas não se esqueça: não envie mensagens nenhumas a ninguém! Bom Ano!
In Azórica, Nº 33, Jornal dos açores, Edição 31 Dezembro, 2005

P.S. “Passas” (12) aí o espumante se faxavor!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Comentários?

Aqui entre nós, acho que estamos a atingir um grau de intelectualidade assustador. É que a partir do momento que começamos a dizer coisas (quase) inteligentes, deixamos de ter tantos comentários...
Então, amigos? Comentáriozinhos, não é só ler e rir da nossa agnosia crónica...
Hélder Medeiros

PS - Chiça, desculpem lá, mas a parte da "agnosia crónica" foi profunda!

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Feliz "occipital"

Primeiro, não há canal que se preze que não tenha um Natal dos Hospitais. Vimos ainda ontem no site da NBC que o Conan O’Brien ia apresentar um programa chamado The Hospital´s Christmas. Segundo, é nossa forte convicção que se devia passar a celebrar o Natal em Agosto, e já explicamos porquê.


1 - O Natal é um tema que já nos vem acompanhando, pelo menos há meia dúzia de crónicas atrás, mas na verdade esta coisa impregna-se de uma tal maneira nas nossas vidas, logo a partir de Outubro de cada ano, que não há maneira de lhe fugir. No dia de hoje, véspera do dito cujo, era mais uma vez inevitável.
Todos os anos é a mesma coisa! Começou há muito tempo atrás. Os enfermos estavam nas suas caminhas, a descansar e a recuperar do malefício que os levou a adoecer, quando de repente, algures numa reunião de executivos num escritório no último andar de um qualquer edifício, alguém levantou-se da cadeira com os olhos a brilhar e gritou para os seus demais colegas: “Já sei, tive uma ideia! Vamos fazer um Natal dos Hospitais!” E catrapimba!! Nunca mais parou! São seguidos! Aliás, não há canal que se preze que não tenha um Natal dos Hospitais. Vimos ainda ontem no site da NBC que o Conan O’Brien ia apresentar um programa chamado The Hospital´s Christmas.
Quer dizer, meus amigos! Coitados dos doentinhos, já não lhes basta as intravenosas e os gessos e os soros e os pontos e os pensos e as algálias, essas coisas todas? Ainda têm de ser arrastados dos seus quartos para ver o Manuel Luís Goucha a apresentar o Toy? “Oh sim, eu estava triste por ter o occipital fracturado, ter caído num barril de ácido e ter perdido um rim e um olho, mas agora que o Toy veio aqui cantar, sinto-me bastante melhor.”

2 – Faz hoje oito dias que se assistiu ao "Quebra-Nozes" no Teatro Micaelense, espectáculo que esgotou rapidamente. A maior parte de “nós” só come “noz” já partida ou usa os dentes para parti-la. Além disso, só conseguimos ouvir Tchaikovsky pela banda filarmónica da terra. Daí que a chegada do evento tenha sido bem recebida, embora apenas para o bolso de alguns, claro!
Isto só foi possível graças ao patrocínio de uma empresa privada… parece que a “cultura do mecenato” está a crescer no arquipélago. Mas isso é fruto, tubérculo ou o que é? Quantos kg de semente dessa cultura “mecenato” chegam para um alqueire de terra? Mas não falemos agora em “cultura regional” que ainda aparece por aí o tribunal de contas!

3- É verdade, faz amanhã 2005 anos que nasceu o Homem. Sabe-se que – nós também não desdenhamos a cultura - Jesus, supostamente, nasceu durante a vida deHerodes, o Grande. Os calendários são contados a partir do ano em que se supõe ter nascido Jesus, mas as pessoas que fizeram essa contagem equivocaram-se com as datas, já que Herodes morreu no ano 4 a.C., de modo que Jesus nasceu no mínimo três anos antes.
Todavia, existem indícios que José recenseou "Joshua ben Jose" (Jesus) como nascido ao dia 21 do oitavo mês, isto no ano 7 a.C. de acordo com os registos Judaicos. (Esperem lá! Portanto, Jesus nasceu 7 anos antes do que é suposto… certo?!) Mas continuando, como se sabe, o oitavo mês é Agosto. É nossa forte convicção que, sendo assim, dever-se-ia passar a celebrar o Natal em Agosto. Seria muito mais interessante. As pessoas estão mais bem dispostas porque é Verão, o tempo está agradável, os dias são maiores, recebemos o subsídio de férias, não temos (tantas) prendas para comprar, o sol brilha, a vida é linda… ah, e há muitas miúdas giras de biquini.

4- De resto, vamos aproveitar o pouco espaço que nos resta para desejar a todos os nossos (três) leitores um Natal muito feliz, com muito amor, muitas prendas – estas sem o nosso contributo - e que esta data se repita por muitos anos…
Para todos, FELIZ NATAL!

PS- não digam que foram ao site da NBC ver se o Conan O’Brien ia mesmo apresentar um programa chamado The Hospital´s Christmas?
In Azórica, Nº 32, Jornal dos Açores, Edição de 24 Dezembro, 2005
P.S (2) O título desta crónica é deveras surpreendente! Uma alusão semântica na forma e no conteúdo da palavra "occipital" ao Natal e ao hospital. Essa importante região do crâneo deve, pois, nesta época, estar bem... é o mesmo que dizer , "neste Natal tenham juizo na cabeça ... não fracturem o crâneo, não se estampem, não vão parar ao hospital" ... qualquer coisa assim! Digam lá se isto não é profundo? Exigimos já o Nobel ... além de que não há melhor campanha para a Prevenção Rodoviária!

Corrida Presidencial

Os Açores já foram granjeados com as visitas de alguns candidatos à Presidência da República, o Professor Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa e Francisco Louça. Por enquanto, Mário Soares ainda não veio à Região. Ao que parece, muitos açorianos estiveram na guerra do Ultramar, daí que o candidato esteja relutante em pôr cá os pés…


Esta foto foi-nos entregue pelo próprio candidato aquando a sua visita à Região - posterior à presente crónica. Como os leitores poderão ver, o candidato revela um amplo conhecimento humanista ( o ser humano na sua mais bela expressão), cultural e científico (imitação de Einsten, numa alusão clara à comemoração do ano Internacional da Física que agora termina)
1- Seis de Dezembro, Aeroporto João Paulo II, 19h40, voo da Terceira, chegava uma das nossas mulheres. Qual o nosso espanto quando encontrámos uma pequena multidão à frente da porta de desembarque. Até ai tudo bem, não fosse o facto da indistinta multidão começar a bater palmas, mesmo na altura em que a porta se abriu e ela apareceu. Não fazíamos ideia que fosse tão conhecida. Sabíamos que era séria, honesta e competente, mas daí a ser (re)conhecida por uma multidão de gente incógnita, diríamos mesmo que de uma forma mediática, isso nunca imaginámos.
Por coicidência, logo atrás dela, vinha o candidato à Presidência da República, o Professor Cavaco Silva. Assumido defensor das autonomias, “um motivo de orgulho para todos os portugueses” – exceptuando para alguns economistas mais rigorosos -, Cavaco elogiou os obreiros do projecto autonómico e reconheceu os benefícios da estabilidade política nos Açores.
Falou em momento de crise no país, “situação que não é normal” – mas como assim? Desde que somos história, o normal foi sempre estarmos em crise! Pronto, ele é que é o economista! – e portanto há que “mobilixar” os portugueses e aumentar-lhe os índices de (des)confiança.

2- Mais optimista está o camarada Jerónimo de Sousa – que também passou por cá em campanha -, afirmando que “há muitos portugueses que ainda não se decidiram…está tudo em aberto”. Dai que “há que ter esperança …é preciso não repetir soluções gastas”. Está tudo dito! Isto galvaniza! Privilegiando o contacto directo com o povo, o camarada veio “captar o voto açoriano”. Recebido em audiência, parece que, inclusive, tentou captar o voto do presidente do Governo Regional.

3- Para nos ver “olhos nos olhos” Francisco Louçã também nos visitou, acusando as outras candidaturas de tentarem evitar o debate sobre a situação do “país real”– cometendo logo aqui uma gaffe, pois não existe “país real”, aliás, o nosso país não existe mesmo. Louçã acrescentou que as outras candidaturas tentam uma " impermeabilização do debate político" o que é um "artifício e uma ofensa à democracia". Enfim, “se ao menos essa impermeabilização nos protegesse da chuva!”, acrescentaríamos nós.
Sobre a Europa, “nem uma palavra”, e nesse aspecto “todos deviam apresentar uma visão de Portugal no mundo”. Pois aí é que está o problema: como é que é possível apresentar uma “visão no mundo”, de um país que não existe ou que, pelo menos, não parece ser deste mundo? Não seria mais fácil o país - pronto, já se sabe que não existe - mas não seria mais fácil esse país, vá lá “irreal”, apresentar ao mundo uma visão ideal de um candidato presidencial ?

4- Por enquanto, Mário Soares ainda não veio aos Açores. Ao que parece, muitos açorianos estiveram na guerra do Ultramar, daí que o candidato esteja relutante em pôr cá os pés… Quanto a Manuel Alegre, o poeta, esse até o “vento que passa” o traz até nós, de forma “transversal”, livre no pensamento, independente na acção, pronto para a renovação e cheio de ideias novas – ouviste avô Mário “ideias novas”?! A propósito, dizem que o debate entre os dois foi “bem vivo” – daqui a algum tempo se calhar não poderíamos dizer o mesmo – e “duro” …só se for de roer – isso acontece muito nos velhotes! Falaram em coisas banais, experiência e consistência, ou falta delas…mas qual a diferença entre os dois? Onze anitos?! Bem, isso é alguma coisa! Não há dúvida, Alegre está melhor colocado… não viram que no fim falou às mulheres? Deve estar com mais vigor! Só pode!
In Azórica, Nº 31, Jornal dos Açores, Edição de 17 Dezembro, 2004

A febre natalícia…

Bolas!... Tenho o trabalho de casa todo atrasado... desde há duas semanas que não lanço as crónicas da Azórica. Agora vai tudo de enxurrada! (El Greco)
Parece que os habitantes de S. Miguel resolveram ir às compras todos no mesmo dia. É impressionante! Os centros comerciais estão tão cheios que no outro dia nós fomos para lá de smoking a pensar que aquilo era o baile de Carnaval do Coliseu...

1 - As ruas pululam de gente, o comércio tradicional revitaliza, as registadoras não param, as avenidas enchem-nos os olhos de luz, o centro comercial parece um formigueiro e todos sorriem de alegria. Logo, nós pensamos, das duas uma: ou andam por aí a dar rebuçados, ou então chegamos ao Natal.
Depois de constatarmos que não havia rebuçados para ninguém, eis que a época natalícia está mesmo por todo o lado.
Isto deixou-nos cheios de alegria, porque fomos logo escrever uma cartinha ao Pai Natal (também conhecido como Papai Noel, Santa Claus, Papa Noël - para os leitores estrangeiros da nossa crónica poliglota). Na nossa carta pedimos, entre várias coisas, que Portugal não sofresse tantos males em 2006 como havia sofrido ao longo de todo este ano negro de 2005, ou seja, que nenhum dos candidatos à presidência seja eleito.
Mas, para além disso, e como somos todos uns homens responsáveis e bem comportados, este ano pedimos também 100 pares de óculos - para os fiscais de linha e árbitros da super liga; 100.000.000.000 milhões de euros - para superar a crise do país; um limpa estradas - para eliminar a bosta das estradas regionais (andamos sempre com o carro todo sujo); e o DVD da Pequena Sereia – porque sim, porque é bonito.

2 - Quem também anda atarefado são os cerca de 125.000 habitantes da ilha de S. Miguel, que parece que resolveram ir todos às compras no mesmo dia. É impressionante! Os centros comerciais estão tão cheios que no outro dia nós fomos para lá de smoking a pensar que aquilo era o baile de Carnaval do Coliseu...
Não se pode ir para lado nenhum sem se ser atropelado ou sem nos pisarem os pés. Aquilo está de tal forma que ontem estava lá a polícia de trânsito a mandar circular e a passar multas de trânsito aos carrinhos de compras mal estacionados:
- Mas ó xô guarda, eu fui só ali aos hambúrgueres...
- Não quero saber! Deixou o seu carrinho de compras mal estacionado, sem os quatro piscas ligados e ainda por cima não vejo o colete reflector em lado nenhum... Aqui tem a multa e feliz Natal!

3 - Sim, nesta época, seja qual for a situação, as frases têm de acabar todas com um rotundo e sorridente "Feliz Natal".
Diz o médico:
- O seu marido está a ter um AVC minha senhora, mas olhe... Feliz Natal!
Ou então num engarrafamento de trânsito:
-Ó seu palhaço, veja lá se anda mais devagar! Seu grandessíssimo bisonte! E já agora olhe... um Feliz Natal para si e para os seus!

4 - Finalmente, notámos esta semana que as salas de cinema do centro comercial do cachalote branco oferecem um serviço completo de cinema e piquenique. É verdade. Chegámos à sala para uma sessão de cinema e encontrámos pipocas e bocados de chocolate espalhados nas cadeiras, gomas, copos com restos de refrigerantes e, claro, pastilhas elásticas de vários sabores, mesmo ali debaixo das cadeirinhas! Uma maravilha.
In Azórica, nº 30, Jornal dos Açores, Edição de 10 Dezembro, 2005

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Parabéns prá gente!!

Pois é, fazemos anos hoje.
Faz neste dia um ano que nos lançaram o desafio: "Construam um blog e escrevam coisas inteligentes e divertidas lá". Já cumprimos metade da promessa, o blog está construido.
Para quem nos tem acompanhado e lido ao longo desta jornada, ou seja, nós os quatro (às vezes três e outras dois), muito obrigado pelas vossas atentas leituras.
Já sabem, podem enviar os donativos para o NIB 0035 2152 6600 0002 4541 67. Donativos acima dos 500 euros têm direito a Lap Dance. Acima dos 1000 euros, bom... a festa é garantida!
Mais uma vez, parabéns à gente!!
Abraços a todos e beijos a todas...
Hélder Medeiros

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

1º Aniversário

Pois... lembrei-me!
Faz hoje um ano que começámos com esta diarreia intermitente... um pouco como a morte do Saramago! Não entrámos (ainda) para a história da blogosfera, mas estamos no bom caminho... muito para lá das estrelas, rumo ao infinito!
Comi sozinho o Tunalhos's cacke. Amanhã pagam-me o café... no sítio do costume! Sim, vocês os 3, 2 ou 1 leitor(es) amigo(s)... membro(s) do blog...
eu!
(Hélder, Vá lá... tenho confiança em ti! Dá-nos os parabéns!)
El Greco
P.S. - As strippers afinal não apareceram!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Fantasmas e polícias

Foi avistado um fantasma num estabelecimento comercial da Ribeira Grande. Os Tunalhos, sempre atentos a novas oportunidades de negócio, decidiram logo na hora abrir uma empresa: a Ghost Bustaçor. A companhia por pouco não ia à falência...








1- O fantasma da Ribeira Grande anda na boca do povo… pelo menos de três ou quatro pessoas do povo porque as outras têm mais que fazer.
Para quem não lê jornais regionais ou não vê a CNN, fica aqui um resumo da história. Foi avistado um fantasma num estabelecimento comercial da Ribeira Grande. Um guarda-nocturno jura a pés juntos que viu uma sombra a passar e, ao visionar as gravações de vigilância, confirmou que de facto havia uma sombra misteriosa a deslocar-se. O mais interessante é que a cassete foi entregue à PSP para análise, instituição que, como sabemos, é inexperiente em casos destes. A PSP obviamente só poderia afirmar que “o segurança estava com os copos… nós conhecemos a sensação!”. Ainda se tentou a todo o custo entrar em contacto com o Fox Mulder, mas o homem estava ocupadíssimo lá com as suas lides nos X-Files.
Os Tunalhos, sempre atentos a novas oportunidades de negócio, decidiram logo na hora abrir uma nova empresa: a Ghost Bustaçor. Equipados com o mais moderno equipamento de raios plasma e deslocadores de anti-matéria de última geração, dirigimo-nos de imediato ao referido estabelecimento com a intenção de caçar o fantasmagórico fantasma (passamos a redundância).
Depois de passarmos a loja a pente fino, prateleira por prateleira, não encontramos fantasma nenhum. Prestes a desistir, ouvimos um barulho estranho ao fundo. Era um casal de empregados que tinha aproveitado o facto de agora não terem clientela por perto e estavam a marcar os preços … um no outro. Mas eis que logo a seguir o nosso detector magnético de ósmio apanhou aquilo que na gíria chamamos de “espectro”.
Empunhamos os nossos sugadores intradérmicos e partimos à caça. Ao depararmo-nos com o fantasma, qual não foi a nossa surpresa ao constatarmos que o espectro, na verdade, era uma jóia de pessoa (ou do que restava dela)? Ouçam, o homem era simpatiquíssimo, super amável, um amor de fantasma.
Moral da história, a Ghost Bustaçor por pouco não ia à falência. Se não tivéssemos recebido um telefonema de última hora a denunciar umas aparições de espectros a candidatarem-se à Presidência da República, a esta hora não sabiamos o que seria de nós…

2 – Outro assunto do “outro mundo”, que é o nosso, tem a ver com o polícia-boneco que recentemente foi avistado na 2ª circular de Ponta Delgada. Bem, o homem metia respeito, tinha carácter, era alto e forte….e corajoso, porque usava manga curta, apesar do frio estava, o que dava para desconfiar (podiam ter feito a colecção para as quatro estações). Aquilo era bonito de se ver. O pessoal que ia na brasa e o avistava ao longe metia repentinamente o pé no travão. Esta situação, ao que sabemos, terá causado alguns choques, avc’s e descargas intestinais (sobretudo daqueles que iam simultaneamente “com vontade de” e com pressa para o trabalho, a fim de usarem, como é hábito à chegada, o WC do serviço.
Mas aquilo resultava só no início, depois já ninguém ligava. Nós por acaso no outro dia íamos a “speedar” e avistámos ao longe mais dois polícias-bonecos. Bem, esses pareciam mesmo reais, até nos mandaram parar e pediram-nos os documentos do carro e nós “eh seus bonecos estúpidos, ide apanhar no…“ , e vai dai os bonecos enlouqueceram e começaram a espancar-nos com o cacete e não é que até nos conseguiram meter na prisa durante 24 horas ?… Entretanto, nunca mais os vimos. Parece que até já andavam prostitutas a assediá-los! Isto é mesmo do outro mundo!
In Azórica nº 29, Jornal dos Açores, Edição de 2 dezembro, 2005

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Natal, saldos e pensões

Crise, qual crise? A árvore gigante montada na Praça do Comércio, em Lisboa, representa o equivalente a um prédio de 23 andares e tem mais dez metros do que a que foi instalada o ano passado em Belém. Quem disse que estávamos na cauda da Europa, hein?
1- Temos a maior árvore de natal da Europa. É verdade, Portugal é oficialmente o país com o mais forte espírito natalício e o único que continua a acreditar tão piamente no Pai Natal (é só olhar para os candidatos presidenciais).
Os cerca de 500.000 desempregados que deambulam pelas nossas ruas agora já têm algo com que se entreter, podem ir ajudar a enfeitar a árvore ou, quiçá, simplesmente apreciá-la. Os nossos alunos já não precisam de se preocupar com os débeis níveis da educação, podem orgulhar-se da árvore de natal portuguesa. E professores, esqueçam as greves, para quê? Nós temos uma árvore de natal com 72 metros de altura.
Crise, qual crise? A árvore gigante montada na Praça do Comércio, em Lisboa, representa o equivalente a um prédio de 23 andares e tem mais dez metros do que a que foi instalada o ano passado em Belém – que, como sabem, é o local onde Cristo nasceu…
Que país este, sempre a crescer! Quem disse que estávamos na cauda da Europa, hein? Nós estamos muito para além das estrelas!

2- Por falar em época natalícia, os portugueses este ano têm menor poder de compra do que no ano passado. Vamos sugerir-vos uma pequena ideia que tivemos. Caros leitores, porque não alterar o Natal para o dia 25 de Janeiro?
Se ainda não é óbvio, explicamos porquê. É a época dos saldos. Porque havemos de pagar 35 euros por uma camisola para oferecer no dia 25 de Dezembro ao primo que dá sempre meias e cuecas compradas nos chineses, se podemos pagar 10 euros pela mesma camisola para oferecer no dia 25 de Janeiro ao primo que tornará a dar as mesmas meias e cuecas compradas nos chineses? É uma questão simples de economia.
Vá, vamo-nos todos boicotar às compras de natal este ano e adiar o nascimento do Salvador um mesito. Aposto que ele nem se importava muito…

3 – Extraordinária é também a notícia de que Portugal tem o melhor sistema de pensões da Europa a 15, de acordo com o barómetro de pensões europeu elaborado pela Aon…uma empresa daquelas de estudos e consultadoria e o camano! “Aon de?”, perguntarão os leitores. Leram bem: Portugal! O estudo conclui que o nosso país está em primeiro lugar, como o mais favorável, devido à taxa de crescimento da população – conceito que não entra em contradição com a diminuição da natalidade e com o fenómeno do envelhecimento populacional. Aliás, a propósito, os velhotes agora foram obrigados a rejuvenescer por decreto pelo que os “novos” padrões de trabalho (até idades mais tardias), também contribuem para a surpreendente conclusão, a par da sustentabilidade das pensões. No entanto, uma empresa rival, Watson Wyatt, já veio por em causa essa conclusão, afirmando uma coisa inconcebível: “o cenário do sistema de pensões português não é muito favorável”. Mas afinal em que é que ficamos? Temos, ou não temos, sustentabilidade? Será que o nosso país é mesmo assim tão difícil de se estudar? Somos mesmo os maiores! A nossa (im)previsibilidade e a nossa “insustentável leveza do não ser” deixa qualquer estudioso estupefacto, sem saber o que concluir com rigor!
4 - Outra novidade para animar o nosso ego: Portugal vai ter a seu cargo a organização do Lisboa-Dakar. Como foi isso possível?! Muito simples, nós somos bons a organizar coisas – grandes churrascos para o Guiness, feijoadas, etc – e se fosse o Paris-Dakar, os pilotos sujeitavam-se a iniciar a prova com as viaturas carbonizadas … Bolas este assunto é mesmo “incendiário”! Por falar nisso, os D’ZRT actuam hoje no Coliseu (não está por aí nenhum?)
In Azórica nº 28, Jornal dos Açores, Edição de 26 de Novembro, 2005

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