quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Greve e cacete

... "Cacete" era o que merecia por ter esquecido de "postar" a crónica da semana passada... estive de "greve"... mas pronto aqui vai na mesma!
El Greco
Tive de mudar de avião em Paris e quando sai do aeroporto vi uns homens a queimar uns carros. Pensei cá para mim que era um bocado estranho, mas pronto, são culturas diferentes. Agarrei no meu isqueiro e desatei a largar fogo a um automóvel que estava ali à mão. Achei que fosse um costume qualquer ali daquela zona, sei lá.
1- Esta foi uma semana muito atarefada para os Tunalhos. 75% de nós teve de se ausentar de São Miguel em trabalho, enquanto que os restantes 25% mantiveram-se na ilha a tentar deixar de fumar (umas estatísticas dão sempre um ar erudito a qualquer crónica, não acham?).
Um foi para Inglaterra, outro para o Faial e o último para Bruxelas. De Inglaterra e Faial, nenhuma história de relevo a registar (tirando o facto de se pagar 9 euros por uma bifana em Londres), mas devemos confessar que o nosso outro amigo viveu uma situação deveras caricata em Paris, já que teve que lá parar a caminho de Bruxelas.
Ora aqui vai o relato do sucedido na primeira pessoa: “Tive de mudar de avião em Paris, e quando sai do aeroporto, vi uns homens a queimar uns carros. Pensei cá para mim que era um bocado estranho, mas pronto, são culturas diferentes. Agarrei no meu isqueiro e desatei a largar fogo a um automóvel que estava ali à mão. Achei que fosse um costume qualquer ali daquela zona, sei lá. No Hawaii dão colares de flores aos turistas, em Paris queimam carros. Cada país com a sua tara. O problema foi que depois apareceu um polícia com um cacete que me começou a espancar. E então aprendi um pouco mais cobre a cultura parisiense, porque sempre soube que eram muito famosos pelos seus cacetes, mas pensava que era o pão. Afinal aprendi que o cacete não era pão de comer, mas sim pão de levar porrada, já que o polícia chegou ao pé de mim, levantou o cacete e pão, pão, pão!!”.
Por isso aconselhamos aqueles que viajam a conhecer um pouco da cultura do país para onde se dirigem antes de partirem. Vão ver que a viagem vai correr um pouco melhor.

2- Portugal é oficialmente a capital europeia das greves.
Vive-se hoje um ambiente generalizado de Grevelite Aguda, doença desde sempre muito comum entre os professores. Actualmente, se o chefe diz que é preciso fazer horas extraordinárias, faz-se greve. Se falta uma caneta no escritório, faz-se greve! Se está sol e trouxemos camisola de gola alta, é greve para os queixos.
Agora até os alunos fazem greve porque, se o professor faltar, têm que permanecer na sala durante o período da aula com um docente substituto.
Daqui a uns dias, os pais vão fazer greve também, já que se os filhos tiverem de ir para casa quando o professor faltar, isto vai representar custos extra para os progenitores. É luz que se gasta, é o consumo de água que aumenta, já para não falar no desgaste dos sofás se o adolescente decidir levar a namorada consigo.
E se os pais fizerem greve, as empregadas domésticas fazem gazeta também por terem de trabalhar a dobrar no dia em que os patrões estão em casa de greve. E em seguida a família da empregada doméstica faz greve porque ela exige que lhe limpem a casa no seu dia de “férias”. E depois os cães e gatos fazem greve por terem de ficar no quintal enquanto decorrem as limpezas.
Pelas nossas contas, esta situação é uma bola de neve que vai culminar no dia 12 de Setembro de 2006, dia em que o país inteiro pára porque toda a gente está de greve por alguma razão que não lembra ao diabo... 12 de Setembro de 2006? Eh pá, logo nesse dia! Que azar! Então não é que tínhamos combinado para esse dia o início das férias num cruzeiro? Ah, o Cruzeiro não é Português?! Pronto, então assim está bem!
In Azórica nº 27, Jornal dos Açores, Edição de 19 de Novembro, 2005

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Isto é d´arder

Falemos das motivações que estão por detrás dessas manifestações calorosas e contagiantes em Paris que, à falta da madeira – sempre achámos que nunca se devia ter destruído a floresta de Paris - queimam os carros para proporcionar o aquecimento de um Inverno que muito promete.
1 -Meus amigos, vamos desvendar aqui um segredo: os Tunalhos estavam a planear fazer uma surpresa às suas mulheres, nomeadamente levá-las numa viagem a um sítio romântico. Pois bem, acertaram… Paris, a cidade luz, que nos dias de hoje brilha tanto que até ofusca, ou então, ofusca tanto que até brilha. Resolvemos adiar. Não sabemos muito bem porquê, até tínhamos à nossa espera no Continente 2 BMW novos oferecidos pelas Selecções do Reader’s Digest prontos a usar. Enfim, teríamos gostado de experimentar, pela primeira vez, um jantar à luz das velas … dos carros a arder, mas depois achámos que o melhor era ficar aqui a apanhar com os sismos que sempre é mais seguro.
Portanto, férias de surpresa para as nossas meninas, agora …deixa cá ver, Amã, não, Sharm-El-Sheik, não, Bali, humm… é melhor não…talvez Cancun. Mas também já ouvimos dizer que costumam andar para lá umas Wilmas e mais não sei quem, que costumam “alevantar” cabelos e destruir tudo!

2 - Mas falemos então das motivações que estão por de trás dessas manifestações calorosas e contagiantes que, à falta da madeira – sempre achámos que nunca se devia ter destruído a floresta de Paris - queimam os carros para proporcionar o aquecimento de um Inverno que muito promete. Há quem diga que isto é uma crise - não o será certamente para o ramo automóvel – de motivos profundos – pelo menos a razia é bem profunda - e que o seu prolongamento é da culpa do ministro do interior francês que apelidou os manifestantes de “escumalha”. Agora é só ver: tudo se espraia em efeito de bola de neve e já transbordou – gostamos deste verbo e de alguns substantivos da família - para outras paragens. Portanto as motivações são … nenhumas?! Ah…pronto…está bem, então os jovens estão sem fazer nada e isto é só para se entreterem! Ah, não?! Ok, certo, ninguém olha para eles, não há apoio social, não há integração. Pronto, esta é a melhor explicação, porque aquela de se lhes chamar um nome feio, não colava muito bem. Senão no nosso país, com tanto nome que na estrada chamamos uns aos outros, era ver o pessoal, todos os dias, a queimar carros. E é assim que vamos caminhar unidos para uma Europa, não das Nações, mas sim uma Europa das Combustões múltiplas e integradoras.
Nós estamos agora é com algum receio. Enfim, costumava-se dizer que chique era falar francês e tocar piano e agora não sei se a nossa juventude, influenciada pelos ventos culturais dessa Europa da frente, não vai querer também imitá-los culturalmente. Algum dia estamos a ver no nosso país marginais a riscar carros, ou a incendiar coisas, ou nas nossas ilhas os repatriados começarem a fazer coisas dessas para depois a gente os expulsar para o seu país de origem, onde viveram a infância e onde foram educados.

3 - Por causa destas notícias estávamos nós a fazer um zapping e parámos momentaneamente no “cofre”, o concurso da RTP, apresentado pelo Jorge, o Gabriel, e ficámos escandalizados com aqueles esquemas que se costumam engendrar para que o Zé povinho fique de plantão a ver os programas. Então era assim: o people que quisesse participar no jogo de casa, para ganhar um leitor de DVD’s, tinha que responder pelo telemóvel a uma questão que era “Quantos dias tem uma semana”. Ora isto não se faz. Não é eticamente aceitável nem concebível do ponto de vista epistemológico e ontológico! A televisão, que é um serviço público, deveria perceber que o nível intelectual do nosso país ainda não é tão elevado para que a maioria da população pudesse responder a questões filosóficas dessa índole. Isto é d’ arder!
In Azórica nº 26, Jornal dos Açores, Edição de 12 de Novembro, 2005

Assessoria - só mais uma















Portanto, é uma nomeação para um trabalho muito especial: prestar assessoria na manutenção dos conteúdos... não é para a "própria" fazer a manutenção/actualização do site... Sim, porque se fosse para isso o vencimento teria que ser outro!
Mais, a nomeação é válida (só) pelo período de um ano ... renovável tácita e automaticamente por iguais períodos. Aquela do "podendo ser revogada a todo o tempo" é só para disfarçar, né?
Como o trabalho é precário e por pouco tempo, acho que está justo, o que vindo do ministério da Justiça está coerente! Força Sr. Ministro, mostre a ética e o sentido de dever a esse pessoal que só quer fazer greve!O Despacho está muito bem conseguido! ... da-de
El Greco

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

PROME(R)DIA p´ra isto?!...

"Doce ou partiiida?"
Nós, sempre estudiosos e numa busca incessante pelo conhecimento, decidimos avaliar as dissemelhanças entre as várias zonas de S. Miguel através dos mais pequenos e descobrimos que a tradição do "Trick or Treat", típica do Halloween, (a)varia de terra para terra.
1 - Quer queiramos, quer não, os Açores são um mini “melting-pot” no meio do Atlântico. Micaelenses são diferentes dos terceirences, graciosenses diferentes dos picorotos, florentinos dos corvinos, etc. Mesmo dentro de uma ilha, as diferenças entre localidades são por vezes abismais, cultural e socialmente. Por vezes, as disparidades vão até à própria pronúncia que evoluiu de maneira diferente ao longo dos tempos e consoante a localidade.
Estas diferenças culturais são visíveis, inclusive, no “Halloween”, costume americanizado que cada vez mais substitui o nosso já pouco católico “pão por Deus”. Isto das tradições culturais versus globalização tem muito que se lhe diga. São uma faca com dois “legumes”, como diria o Pacheco, esse grande intelectual da bola.
Nós, sempre estudiosos e numa busca incessante pelo conhecimento, decidimos avaliar estas dissemelhanças e descobrimos que a tradição do “Trick or Treat” (a)varia de terra para terra.
Em Ponta Delgada, batem à porta e dizem “doce ou partiiida”. Mas por exemplo, ali para os lados da Calheta, que também é Ponta Delgada, quando um colega nosso abriu a porta, só viu uma faca e alguém gritar “um doce ou a vida!”.
No Livramento, ouvimos “hê senhora, dá-me um rebuçado, vá lá, vá lá!”, mas em São Roque, mesmo ao lado, quando a mãe de um colega nosso abriu a porta ouviu “hê senhora, o meu pai já gastou o Rendimento Mínimo numa Playstation e agora a gente não tem dinheiro para comprar rebuçados, tenha pena de nós. Uns Ferrero Rochês ou uns Mon Chéries devem dar”.
Finalmente, na Candelária é “Pão por Deus, queira Deus / Ponha a tia na saquinha / Seja tudo por Amor de Deus” e, em Rabo de Peixe, a batida na porta é seguida por “não queres dar um doce? Arrebento-te toda!”. A variedade cultural micaelense é uma coisa muito bonita!

2 - Também não se sabe muito bem se vai ser uma doçura ou uma travessura a mudança nos financiamentos aos OCS regionais anunciada pelo governo. O novo Programa de Apoio à Comunicação Social está em discussão e tem levantado ondas de descontentamento ao ponto de já ser designado por muitos de PROME(R)DIA. Nós associamo-nos a essa onda de contestação porque, como cronistas, estamos solidários com os restantes colegas. Não queremos ser os bodes “respiratórios” dos problemas da Região. Não vamos admitir o desaparecimento dos apoios básicos à compra de papel para impressão dos jornais (vai-se escrevinhar onde? Nas paredes, nos wcs… nos rolos de papel higiénico?). Não vamos permitir o fim do apoio nas despesas de acesso às fontes de informação (até porque as nossas fontes trabalham em condições miseráveis, às vezes na rua, outras vezes nas esquinas ou em cubículos onde mal entra a luz).
Dispensamos as novas formas de ajuda para a aquisição de equipamentos e programas informáticos! Já toda a gente tem computadores e software pirateado. Queremos manter vivas as edições “imprimidas”, “impressadas” (raios, onde é que está o dicionário?)! Os novos produtos multimédia ou meios de informação on-line, esses não prestam, têm vírus e falta-lhes o cheiro das tintas e … não servem para embrulhar os chouriços fumados das nossas avós... Quanto ao apoio à formação profissional acham que é preciso mais? Então com tanto curso na U.A de comunicação e afins. Agora só falta é praticar, acompanhando o governo nas visitas oficiais!
Nós somos um grupo muito simpático e “hospitalar”, mas quando a mostarda nos chega ao nariz, pensamos logo ou é hambúrguer ou cachorro quente. Vamos aguardar livres e serenos, mas haja o que “hajar” não nos hão-de calar (só se … pronto nada!).
In Azórica nº25, Jornal dos Açores, Edição de 5 de Novembro, 2005

domingo, 6 de novembro de 2005

O carro, a unha e o cigarro

Hoje os Tunalhos vão partilhar consigo, caro leitor, aquela que foi mais uma típica semana para quem faz parte deste bonito, animado, inteligente, engraçado e humilde grupo. No meio de toda a agitação, tivemos de ir com o carro à inspecção, um de nós deixou de fumar (outra vez) e outro foi arrancar uma unha do pé.


1 - Hoje é Sábado, o último dia da semana, e os Tunalhos, fartos de andarem ensimesmados, vão partilhar consigo, caro leitor, aquela que foi mais uma típica semana para quem faz parte deste bonito, animado, inteligente, engraçado e humilde grupo.
No meio de toda a agitação, tivemos de ir com o carro à inspecção, um de nós deixou de fumar (outra vez) e outro foi arrancar uma unha do pé.
Começando pelo princípio, fomos com o "Tunalhómóbil" ao IPO... não, não foi ao Instituto Português de Oncologia, mas sim à Inspecção Periódica do Otumóvel. Aquilo até tem a sua piada, com aquelas máquinas e tudo. Logo no início enfiam uma mangueira no cano de escape da viatura (oxalá esta frase não seja lida pelo Esquadrão G, senão o(a)s tipo(a)s vão já para a inspecção!). Depois há o estudo dos faróis, travões e pneus e, no fim, passam um papelinho com a avaliação do bólide.
Ora, nós pensámos que também seria muito interessante se fosse obrigatório outras coisas, para além dos carros, irem periodicamente à inspecção. Um casal, por exemplo, depois de 4 anos de casamento devia ser inspeccionado com o mais rigoroso protocolo. Primeiro a análise do "tubo de escape", que podia ser um pouco dolorosa. De seguida a análise dos "faróis" da mulher, o "amortecedor" do homem e por fim os travões. Até já estamos a ver o inspector no fim:
"- Está tudo bem, mas o senhor tem aqui uns problemazitos no escape...
- Isso é da feijoada!
-... a sua esposa é que ‘tá aqui com os "faróis" desalinhados e por isso vai ter de ir prá oficina."
Dias mais tarde chega o homem ao emprego:
"- Então onde está a tua mulher?
- Divorciei-me dela... não passou na inspecção!"
Problema resolvido e mais um casal feliz.


2 - Já o problema da unha foi outro evento desta semana dos Tunalhos. Aquilo, para além de doer que se farta, fez de um de nós um desunhado, ou seja, um tipo com 20 dedos e 19 unhas. Aquilo dói tanto, mas tanto, que achamos que se devia castigar as aves que andam para aí a espalhar a gripe, arrancando-lhes as unhas dos pés. Elas assim iam aprender! Aliás, isto é triste, porque quando éramos putos, as avós faziam canja de galinha para que ficássemos sem gripe, hoje em dia quem come a canja é que apanha a gripe... onde é que isto vai parar? Anda o mundo às avessas.
No continente já foram detidas várias aves, incluindo galinhas, perús, gambuzinos, frangos e, é claro, o Ricardo, guarda-redes da selecção.


3 - Por fim, um de nós deixou de fumar... pela 7ª vez. É uma tentativa louvável, que já dura há 15 dias. No entanto tem enfrentado algumas dificuldades, nomeadamente ao nível da alimentação e da vida amorosa.
Ao nível da alimentação, a ausência do cigarrito levou-o a atirar-se mais à comida e em doses familiares, o que fez aumentar o seu peso e conduzirá à pouco salutar obesidade. É só uma questão de tempo...
No que concerne à vida amorosa, digamos apenas que esta deixou de existir. Porquê? Porque no fim de fazer o chamado "amor" dá sempre vontade de dar uma passita. Ora se já não se fuma, já não se dá passita nenhuma, logo também não se faz mais o "amor".
Conclusão: deixar de fumar pode ser nocivo para a sua saúde e para a dos que o rodeiam.

In Azórica nº 24, Jornal dos açores, Edição de 29 de Outubro 2005

terça-feira, 25 de outubro de 2005

A Gripe das Aves e a Corrupção

Tivemos conhecimento de várias diligências de recolha de prova junto de instituições financeiras, relacionadas com suspeitas sobre a prática de crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Já estamos a ver os investigadores da polícia judiciária, assim, mais ou menos a sério e mais ou menos a brincar: “ Então pá, já falaste com o teu banco?”, “Não, falei com o teu!”


1- Caros leitores, vamos hoje falar de um assunto que começa a ter a maior atenção em termos de saúde pública. Estamos a referirmo-nos à gripe das aves que é uma doença contagiosa causada por vírus que infectam… portanto… as aves e também os suínos… e parece que também afectam os seres humanos.
Neste último caso, a estirpe conhecida como H5N1 (portanto, em cada 5 Homens, Nem 1 escapa) é a mais alarmante e é a causa da maioria dos surtos. Infelizmente, não são afectadas só as aves raras - que falávamos em anterior crónica - , mas são afectadas todas, com especial incidência, as aves de capoeira, muito vulneráveis, pelo que podemos estar perto de uma epi… pan… demia (“epi” de épica ou talvez de epicentro; “pan” de panegírica e/ou pan-Europeia, ou seja paira elogiosamente por cima da Europa; e “demia”... bom, é uma questão de irem ver ao dicionário).
Uma das formas de manifestação da doença são as alterações nas penas - o que dá a entender que os suspeitos da casa Pia já estão infectados. É altamente contagiosa e rapidamente fatal, com uma morbilidade de quase cem por cento. As aves podem morrer no mesmo dia em que os primeiros sintomas aparecem. Pois, e onde é que está a piada disto?
Isto é muito grave! É que a partir de agora, na via pública, vamos desejar, mais do que nunca, que nunca nos caia um cocó de pomba em cima… se dantes dava para rir, agora pode dar para morrer!

2- Quem também progride, de maneira altamente contagiosa, tal e qual a gripe das aves, é a corrupção. Segundo o Índice de Percepção da Corrupção (sabiam que há estudos destes?), divulgado nesta semana pela Transparência Internacional, Portugal é o terceiro país mais corrupto da Zona Euro. Vergonhoso, muito vergonhoso!
Contudo, dos 159 países analisados, Portugal subiu uma posição (para melhor) face a 2004, ocupando a 26ª posição. Numa escala de zero a dez, Portugal recebeu a classificação de 6,5 pontos. Ora sabendo-se que 2 terços dos 159 países obtiveram uma nota inferior a cinco, indicando elevados níveis de corrupção, até que tivemos uma posição honrosa o que obviamente não deixa de ser uma boa notícia! O que interessa é a posição em termos mundiais. A posição na Europa é de somenos importância.

3- Também, nesta semana, tivemos conhecimento de várias diligências de recolha de prova junto de instituições financeiras, relacionadas com suspeitas sobre a prática de crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Crimes que apontam para um prejuízo causado ao erário público, nos últimos três anos, de muitos milhões de euros, só em sede de IRC e IRS não pagos.
Enfim, uma operação que surgiu numa inspecção de rotina e que acabou por se tornar numa mega investigação aos negócios da banca, numa acção conjunta das Finanças, Ministério Público e da Polícia Judiciária.
Meus Deus, Espírito Santo e outras entidades divinas impolutas, percursoras da ética, do bem comum e dos spreads generosos… mas o que é isto? Já estamos a ver os investigadores da polícia judiciária, assim, mais ou menos a sério e mais ou menos a brincar: “ Então pá, já falaste com o teu banco?”, “Não, falei com o teu!”
Isto não deixa de ser uma má notícia e vai obrigar a Transparência Internacional a modificar o último relatório sobre o Índice de Percepção da Corrupção. Lá vai Portugal sair do 26º lugar para se juntar ao Chade e ao Bangladesh na 158ª posição.
In Azórica nº 23, Jornal dos Açores, Edição de 22 de Outubro, 2005

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Rescaldos

Estivemos reunidos para interpretar porque não tivemos nem um voto nas autárquicas. Depois percebemos, afinal não tínhamos nenhum mandado de prisão emitido, nunca fugimos à justiça, nunca fomos indiciados por tráfico de influências, fuga aos impostos, branqueamento de capitais, nem acusados de ter sacos azuis.
1- E pronto, o Pauleta bateu o recorde do Eusébio. Foi assim tão fácil.
Um de nós é natural e vive em São Roque e nunca se sentiu tão orgulhoso por viver em tão nobre zona. Da próxima vez quem quiser afastar os miúdos dos calhaus que passam a vida a torturar cães, ou um dos adolescentes alcoolicamente intoxicados que brigam nas ruas às tantas da manhã, ou mesmo um dos seus vizinhos que ganham o Rendimento de Inserção Social e têm TV Cabo por Satélite com 317 canais ligados a um sistema de Dolby Surround Pro-Active, vai pensar duas vezes.
Nunca se sabe quando São Roque vai produzir mais um fenómeno, e convém ser amigo de todos, pois qualquer um pode ser o próximo Pauleta, o próximo Mota Amaral, ou até o próximo Einstein (que não era de São Roque, mas bem podia ser já que tudo isto é muito relativo)
Outro rescaldo, a propósito das autárquicas, os Tunalhos congratulam-se pela forma "enlevada” como decorreu mais este acto democrático, sobretudo nos Concelhos mais importantes e independentes do país como os de Gondomar (o Valentim parecia estar zangado por ter ganho), Felgueiras (depois de umas férias no Brasil, sabe bem voltar ao trabalho) e Oeiras (as contas fazem-se no fim... nem que seja na Suiça). O Concelho de Trancoso também ficou na história desta campanha. As duas mortes de candidatos a juntas de freguesia representaram um aumento significativo dos indices de criminalidade do concelho, tornando-o o mais perigoso do país em época de eleições. É caso para dizer “em Trancoso é só trancada no “oso”!

2 - Apesar disso, e no que nos diz respeito, não deixamos de ter alguma mágoa em virtude da nossa candidatura à Câmara de Ponta Delgada não ter merecido nem sequer um voto. O povo às vezes é bastante injusto. Esta ausência de votos nos Tunalhos, segundo os analistas, foi o resultado mais surpreendente das autárquicas na Região, juntamente com o outro facto muito relevante que foi a grande viragem à esquerda no Corvo (duas famílias zangaram-se ... facto que tem logo repercussões políticas de relevo).
Inclusive estivemos reunidos para interpretar estes resultados, nomeadamente tentar perceber ”porque é que nem nós próprios votámos em nós mesmos?" Depois percebemos: afinal não tínhamos nenhum mandado de prisão emitido, nunca fugimos à justiça, nunca estivemos envolvidos em investigações por corrupção activa, e muito menos passiva; nunca fomos indiciados por tráfico de influências, fuga aos impostos, branqueamento de capitais, nem acusados de ter sacos azuis… (só mais p´ró roxo); além de que, também, o nosso nome não constava nos boletins de voto. Foi um problema da gráfica que por acaso era de um amigo nosso que nos retirou, pois pensou que nós estávamos nos boletins por brincadeira…

3 - Quem também anda a brincar como um miúdo – é o que parece -, nisto das eleições, é o Dr. Mário Soares que foi acusado, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), de ter violado claramente o nº2 do artigo 177 da Lei Eleitoral, que proíbe que no dia da eleição seja feito um apelo ao voto. Esta violação é punida com uma pena de prisão até seis meses ou uma multa até 60 dias ou lá o que isso é! Ouvimos dizer que a multa era de 25 €. Ora bem, isto é no total? Então se calhar é preferível pagar os 25 € em vez de ir para a prisão por 6 meses! Ou será que o homem terá que sair todos os dias para pagar 25€ diários, durante 60 dias, perfazendo um total de1500 € e outras tantas passadas? Pelo trabalho que isto dá se calhar é preferível, neste caso, optar pela prisão! Enfim, tão novo e já acusado desta maneira… Mas assim pode ser que deixe de violar a lei eleitoral … e a natural também.
In Azórica nº 22, Jornal dos Açores, Edição de 15 Outubro de 2005

sábado, 8 de outubro de 2005

Autárquicas e justiça "cegas"


Reparamos, de forma inédita, que o que mais se destacam em quaisquer eleições são as promessas. Os candidatos podem prometer o que bem lhes der na tola, desde que o façam num tom decidido, com um punho cerrado no ar, de preferência o direito, e a espumar ligeiramente da boca.

1- Com as autárquicas a todo o vapor, fomos lendo e ouvindo atentamente os discursos eleitorais. Reparamos, de forma inédita, que o que mais se destacam em quaisquer eleições são as promessas. Os candidatos podem prometer o que bem lhes der na tola, desde que o façam num tom decidido, com um punho cerrado no ar, de preferência o direito, e a espumar ligeiramente da boca.
Imaginem um candidato frente a um microfone, com o povo lá em baixo e os simpatizantes com as bandeirinhas e tal. Ele diz convictamente: “Prometo ainda potenciar a vertente (g)astronómica das Feteiras, construindo uma base de pizza lunar e uma rampa de lançamento de vaivéns espaciais ao lado da Junta de Freguesia, como estratégia de acção social para ajudar os idosos. O actual presidente nunca quis saber dos idosos, nunca!” E as pessoas aplaudem fervorosamente. É que realmente era bom ter uma rampa de lançamento do que quer que fosse…

2 - As eleições para as autárquicas, desculpem-nos os outros actos eleitorais menores para a presidência ou governo, são o que de melhor a nossa democracia tem. É bonito ver, por exemplo, em Salvaterra de Magos, um pai que foi do PS a concorrer pelo PSD e um filho que foi PSD a concorrer como independente pelo PS para a presidência de uma junta de freguesia. Achamos que o historial político da família era esse, mas se for ao contrário também não faz mal nenhum. Não há que haver confusão. E o povo também não tem que se preocupar com a escolha. Os candidatos têm os mesmos genes, a mesma fibra e a mesma coerência ideológica. Seja qual for o resultado, certamente haverá festa naquela família. O povo da freguesia, de qualquer das maneiras, terá sempre aquilo que ambos prometeram: sejam os fornos para os “cidadões” cozerem os seus “pões”, sejam as “istradas”, ou ainda um campo de relva sintética cimentado. Isto sim é que é democracia.

3 - Parece que os tribunais vão paralisar dois ou três dias devido à greve dos magistrados superiores, dos juízes e dos funcionários judiciais. Muitos criticam esta paralisação, mas afinal de contas só são mais 2 ou 3 dias … duma paralisação que já dura há anos. Uns dizem que, sendo os tribunais um órgão de soberania, esta greve é um mau exemplo, carece de legitimidade e fere a constituição. Ora não partilhamos desta visão e até achamos que os restantes órgãos de soberania também deviam ter o direito de fazer greve: o governo devia fazer greve porque o país não lhe dá condições, o Sr. Presidente devia fazer greve porque ninguém lhe dá atenção e a assembleia da República devia fazer greve porque ninguém ia dar por isso.
Outros ainda acrescentam, “Ah, não sei o quê, isso é mau para o prestígio dos tribunais…eles vão dar um tiro nos pés”. Qual quê? Mais um tirito no pé a acumular a tantos outros não é desprestígio…isso é vitalidade, coragem e carácter. Mais, por acaso pensam que esses magistrados iam partir para uma greve se não estivessem convencidos do grande prestígio, poder e independência que a justiça detém no nosso país? Claro que não! A sua imagem está melhor do que nunca. Que o diga a Fátima Felgueiras, uma figura também ela de prestígio que tem muita consideração pelos tribunais e que gosta muito do nosso sistema judicial. Se assim não fosse não teria vindo ao seu encontro, se não o respeitasse ou se desconfiasse dele, certamente não seria livre… talvez só “imune”.

In Azórica nº 21, Jornal dos Açores, Edição de 08 de Outubro, 2005

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

A Política e a Mãe (Natureza)


Como somos da geração X-Files, decidimos encetar uma investigação “undercover” para deslindar o mistério por detrás da recente crise sísmica em São Miguel. O nosso faro levou-nos à verdade e, apesar de isto colocar a nossa própria vida em risco, vimos aqui desvendar as nossas conclusões.

1- A nós ninguém nos "amanda" com areia para os olhos, não senhor! Estes eventos sísmicos ali para os lados da Vila Franca, Povoação e Ribeira Grande vão ser postos a descoberto aqui e hoje pelos Tunalhos (que somos a gente).
Este assunto é demasiado sério: alguns de nós iam entrando em pânico quando se ouviu dizer que a igreja de Vila Franca estava a cair. Afinal foi só a cruz. Coisa que até é normal, pois ainda no outro dia o padre tinha o terço na mão e deixou-o cair também…
Admitimos que isto tudo foi um plano genial, foi todo muito bem engendrado. Fizeram tudo para que a coisa parecesse mesmo ser natural - "Foram as placas tectónicas" disseram uns "desentendidos", a placa macho e a placa fêmea… lá em baixo no quentinho começaram tec…tec…tec… por isso é que se chamam tectónicas. E enquanto elas estavam nesse coito ininterrupto que nos fazia vibrar por baixo, originando alguns momentos de êxtase e delírio colectivos (algum pessoal foi dormir todo junto para a rua), nós pensámos: Será que é verdade? Será que a Mãe Natureza é a culpada por esta crise sísmica que ia provocando o caos?
Como somos da geração X-Files, decidimos encetar uma investigação "undercover" para deslindar o mistério por detrás dos sismos. O nosso faro levou-nos à verdade e, apesar de isto colocar a nossa própria vida em risco, vimos aqui desvendar as nossas conclusões.

2- O que se passou foi que, com as eleições aí à porta, um determinado partido político engendrou um grande plano para fazer campanha. Ah, pois é. Enquanto comem uma laranja, pensem bem nisto:
a) Qual foi a cor de alerta estabelecida pela Protecção Civil após os sismos?
b) Qual é a cor política de um certo partido que começa em "P", acaba em "D" e no meio tem uma letra que dá para escrever Sapo, Sapato e até às vezes Serpente?
Fez-se luz, não fez? Pois é, caros amigos. Ficaram chocados?! Fica assim a descoberto aquela que terá sido, provavelmente, a maior cabala política desde que Paulo Portas foi nomeado chefe dos tropas. Tirem as vossas ilações e apontem o dedo aos culpados.

3- Outra coisa interessante e que, curiosamente, também relaciona a política com a Mãe Natureza, é o facto de nos Açores habitar uma das espécies mais raras de ave em todo o Mundo, o priôlo. Esta ave habita ali para os lados do Nordeste, mais concretamente no recôndito, silencioso e... recôndito habitat do Pico da Vara (por isso, caçadores...).
Ora, o que os caros leitores não sabem é que outras aves há que, em vez de estarem em vias de extinção, estão mas é em vias de expansão, apesar de se designarem por "Aves Raras". Elas estão associadas, na sua maioria, a habitats políticos.
Como se trata de uma espécie protegida, não podemos aqui dizer identificá-las de uma forma objectiva, mas que elas "andem" por aí... disso não temos dúvidas! O mais interessante é que essas aves parecem que têm sucesso garantido nos seus propósitos de "fecundação", sobretudo quando são muito bem investigadas, neste caso não por cientistas, mas sim pela PJ.
Cada um de vós poderá certamente identificá-las e agora, com eleições ao virar da esquina, são cada vez mais fáceis de avistar essas "Aves Raras" (por isso, caçadores...).
In Azórica nº 20, Jornal dos Açores, Edição de 1 de Outubro, 2005

terça-feira, 27 de setembro de 2005

O Natal está aí à porta!


Os Tunalhos, com medo de perder a primeira-mão, dão a notícia antes dos outros: senhoras e senhores, o Natal está aí à porta! É verdade, faltam apenas 93 dias. Hoje vamos divagar um pouco sobre o verdadeiro sentido do Natal e sobre os novos arqui-inimigos do barbudo da Coca-Cola.
1- Damos hoje a notícia em primeira-mão: o Natal está aí à porta!Sabemos que faltam 93 dias, mas como os Tunalhos estão sempre em cima do acontecimento e gostam de ser os primeiros a dar a notícia, numa manobra inédita de antecipação vamos hoje divagar um pouco sobre o natal.Antes de mais, convém perguntar “O que é o Natal?”. Se formos rebuscar bem no fundo da nossa alma, descobrimos que o Natal é basicamente aquela altura do ano em que não é errado mentir às crianças: “Queres uma Barbie de quê? Ah filha, o Pai Natal não pode trazer isso, ele é pobrezinho, coitado”.Por outro lado, o natal é, para os adultos, um momento de reflexão e introspecção. É a época em que muitos casais se juntam numa união harmoniosa e reflectem sobre a sua vida: “Então Maria, o 13º mês vai para a hipoteca da casa ou para a prestação do carro?”Claro que isto só será possível se o Governo não se lembrar de congelar o subsídio deste ano…
2- Quem não está muito feliz com o natal são os americanos. Não lhes agrada muito a ideia de ter um homem de barbas a invadir o seu espaço aéreo para largar encomendas suspeitas não fiscalizadas pela alfândega. Já estamos a ver a cena: o Pai Natal com as renas, dois F-16 da USAF, um míssil AIM-9 Sidewinder, e pronto… problema resolvido. O barbudo não chateia mais ninguém.E os Estados Unidos não são o único inimigo do Pai Natal. O próprio Bin Laden não vai muito com a cara dele. Numa entrevista exclusiva à Azorica, o líder Taliban diz que “aquele gajo é uma vergonha para quem usa barba. Tem aquilo sempre aparadinho, todo branquinho, com a mania que é vedeta e tal. É uma vergonha, vos digo, uma vergonha! Pronto pá, agora estou chateado, vou ter de matar 214 infiéis!”
3- Também, como é costume, todos falam mal do consumismo natalício. Não somos desta opinião. Perguntem lá ao nosso Salvador se não gostou de receber ouro, incenso e mirra quando nasceu. Claro que gostou, quem não gostaria de receber um pouco de mirra enquanto lhe cortam o cordão umbilical?
Os descontos é que são inaceitáveis! Fazemos desde já um apelo a toda a gente para acabar de uma vez por todas com esta barbaridade. Imaginem que, por exemplo, vão comprar um micro-ondas à esposa. Por acaso conhecem o dono da loja, e o senhor, com toda a sua boa-vontade e simpatia, cobra-vos apenas o preço do respectivo, oferecendo-vos a margem de lucro que porventura faria na venda do produto.E se por acaso o micro-ondas tiver defeito e estragar o peru da ceia? Depois de tanta simpatia e depois de o senhor ter abdicado de uns 0,0001% do seu orçamento familiar para nos dar um jeito, quem é que tem cara de ir respingar ou dar socos na mesa? É humanamente impossível!Ao aceitarmos um desconto, na verdade estamos a ser enganados. Além disso, depois se forem lá refilar por causa do micro-ondas, existem fortes probabilidades de saírem da loja com o peru natalício enfiado num sitio onde o sol não brilha…
In Azórica nº 19, Jornal dos Açores, Edição de 24 Setembro, 2005

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Hoje a Rádio Atlântida, amanhã o Mundo

A não perder! No próximo Domingo, dia 2 de Outubro, a entrevista exclusiva dos Tunalhos na Rádio Atlântida, no programa "Entre Palavras" da Graça Moniz, entre as 12 h e as 15 h... portanto, depois da palavra de Deus e antes do Futebol. Vai ser bonito!
"Entre as palavras" da Graça e as nossas "palavras ocas" ... tudo pode acontecer! A Atlântida já anunciou que não se responsabiliza pelo conteúdo do programa!

El Greco

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

A nossa candidatura, parte II

Para os leitores menos atentos, os Tunalhos já apresentaram a sua candidatura oficial à Câmara de Ponta Delgada. Por insistência de três munícipes, para além das medidas que garantimos tomar se formos eleitos, hoje vimos aqui fazer mais promessas (como qualquer político que se preze).

1- Sim, é verdade, os Tunalhos apresentaram a sua candidatura oficial à Câmara de Ponta Delgada (vide Azorica de 06/08/2005 ou www.tunalhos.blogspot.com). A nossa candidatura foi muito bem aceite por três munícipes, e por insistência dos mesmos hoje vimos aqui fazer mais promessas.
Pois bem, a nível da segurança rodoviária, e para protecção de todos os condutores, pretendemos estabelecer um serviço municipal de recolha de vacas malhadas perdidas na via pública. Pretendemos instalar as pobres coitadas no Salão Nobre da Câmara e alimentá-las bem para poderem ser abatidas nas festas do Espírito Santo da Cidade. Ah, e queremos fazer uma Coroa bem grande, assim com uns 23m de altura e uns 15 de largura.
Para o desenvolvimento da agricultura, prometemos oferecer a cada lavrador uma ordenha móvel, mas das modernas que já vêm equipadas com o cão de fila atrelado e tudo.
No campo da cultura, queremos promover o Colégio dos Jesuítas, rentabilizando-o e elegendo-o como Centro de Raves para Jovens. Vai ser bombar até de manhã com o DJ residente, o já esquecido Sandro G.
O Coliseu passará a ser a sala de trabalho dos Tunalhos e ao mesmo tempo residência temporária dos sem abrigo e repatriados, a quem será dada formação para exercerem trabalho em prol do Município e ao nível do entretenimento e da recepção de turistas, emigrantes e convidados especiais.
Ao nível da educação, numa tentativa de conciliar os valores do passado com os actuais, vamos estabelecer protocolos de colaboração com as paróquias, com as casas de strip e com o elenco dos "Morangos com Açúcar", a fim de se promoverem aulas práticas, extracurriculares, para uma efectiva implementação da educação sexual nas nossas escolas.

2- No que concerne à educação, os Tunalhos comprometem-se ainda a resolver, de uma vez por todas, os problemas da colocação dos professores. Vamos colocar os professores ao lado do quadro e de frente para os alunos! Mais um problema resolvido (Senhora Ministra da Educação, ponha os olhos em nós e aprenda a fazer política).
Por falar em professores, os pais já podem respirar de alívio! Finalmente podem deixar os filhos ao cuidado de outras pessoas, como? Levando-os para a escola - é que as aulas já começaram.
Aulas são sempre sinónimo de alegria para pais e alunos. Os pais rejubilam de alegria por terem de comprar os livros e os materiais escolares para os seus pequenos e estes saltam de alegria ao ver chegar o fim de 3 meses de festa, boa vida e brincadeira!
Neste cenário de festa, os únicos que parecem não gostar nada da história são os professores. Esta é uma classe que parece nunca estar contente com nada... Se estão desempregados é porque estão desempregados, se são colocados é porque fica muito longe, se ficam colocados perto é porque agora têm de trabalhar mais horas. Bolas!! Decidam-se lá ó "setôres". Com os direitos todos vêm os deveres…
In Azórica nº 18, Jornal dos Açores, Edição de 17 de Setembro, 2005

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

O apelido do nosso Pauleta

Como já devem ter reparado, há algo de mal na nossa fotografia. Para já, um dos elementos está diferente dos outros. Já descobriram qual é?... Damos a resposta mais abaixo. Para além disso, passamos a apresentar algumas alternativas ao apelido do Pauleta.


1 - Caros dois leitores, é já com grande saudade que lembramos o início desta cooperação entre os Tunalhos e o Jornal dos Açores. Já lá vão quase... 1 mês e 12 dias, mais ou menos! Lembramo-nos perfeitamente de como tudo começou. A voz do outro lado da linha disse:
“Tínhamos todo o gosto que colaborassem com o nosso Jornal.”
“Claro, gostávamos imenso”, respondemos nós.
“Nós queríamos convidar pessoas inteligentes, talentosas, perspicazes, engenhosas, intelectuais de primeira linha, com elevada capacidade mental, cultural e ética para escrever no nosso Jornal. Mas como as pessoas com essas características não aceitaram o convite, decidimos convidar os Tunalhos”.
Bom, depois disto foi sempre a crescer (salvo seja) e agora até já temos direito a foto e tudo. Ou isso, ou eles não se querem é responsabilizar pelo que escrevemos e querem que toda a gente conheça a nossa cara para que nos possam bater à vontade.
Em todo o caso, como já devem ter reparado, há algo de mal na nossa fotografia. Para já, um dos elementos está diferente dos outros todos. Já descobriram qual é?... Exacto, é o terceiro da esquerda para a direita, ele tem caspa e os outros não. Além disso, há outro elemento que vai sair dos Tunalhos para prosseguir uma carreira de sucesso em Hollywood. Conseguem adivinhar qual deles é?... Pois, é o primeiro da esquerda. Vejam lá a tristeza na cara do miúdo por nos deixar, é o único que não sorri…


2 - É o homem do momento! Não, não estamos a falar do Tony Carreira, mas sim do jogador açoriano Pedro "Já Só Faltam Dois Golos" Pauleta.
Este astro do futebol Europeu, e quem sabe dos Açores, tem deliciado os amantes (deixem passar o termo) do futebol por esse mundo fora. É um tipo com muitos atributos - logo à partida, é natural de S. Roque, depois marca golos e, além disso, também faz... pronto, dá pontapés em queijos... é uma coisa bonita!
Por todas estas coisas, têm sido atribuídos alguns apelidos a Pauleta e todos têm a ver com a sua naturalidade açoriana. Mas, a partir de agora é preciso ter cuidado! Os americanos andam de olho no jogador. O apelido "Açor" ainda passou na censura, mas o apelido "Ciclone" fez com que ele se tornasse um dos 10 mais procurados pelo FBI.
Nós percebemos porquê, estamos solidários com o povo do Mississipi e, por isso, resolvemos arranjar alguns apelidos alternativos para o internacional de futebol. O primeiro de que nos lembrámos foi "Tornado dos Açores", mas depois achámos que conseguíamos fazer melhor. Surgiram então alternativas inspiradas nas ilhas como: "o Hortênsias", "o Lavrador", "o Cachalote", "o Ananás", "o Licor-de-Maracujá", "o Pimenta-da Terra", entre outros.
Mas depois, num momento genial de inspiração, tivemos uma epifania e criámos o novo apelido para Pedro Pauleta! Senhoras e Senhores , é com orgulho que os Tunalhos vos comunicam, em primeiríssima mão, que o novo apelido do jogador vai ser ...

NOTA DA REDACÇÃO: caros leitores, pelo facto de já não haver mais espaço disponível para a crónica dos Tunalhos, o final do artigo desta semana será revelado numa das próximas edições.


In Azórica nº 17, Jornal dos Açores, Edição de 10 de setembro 2005


sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Poeira

Foi com emoção que os Tunalhos não assistiram em directo e in loco à implosão das torres de Tróia, esse acontecimento importantíssimo que mereceu a presença do 1º Ministro e ocupou, no mínimo, meia hora em cada um dos telejornais nacionais. O desenvolvimento do acontecimento passou também por entrevistar alguns dos milhares de anónimos (achamos que estavam de férias ainda), munidos de binóculos e máquinas fotográficas, que não quiseram perder aquele momento de “poeira desenfreada”, a que só faltou, de fundo, como banda sonora, a música da Ivete Sangalo. E perguntava o repórter a um dos mirones “Então, achou que a implosão foi rápida?” Mas estes jornalistas não têm relógio? Ou mesmo não tendo, será que não conseguem ter a “mais pequena noção de tempo” para perceber que obviamente aquilo não durou mais que uns segundos? Pronto, admitamos que era uma questão de interesse público…e que a maioria dos presentes não saberia o que responder.
Mais interessante foi a questão colocada a um dos antigos trabalhadores das torres “Então, acha que durou mais tempo a demolir ou a construir?” Esta sim, faz sentido e revela inteligência. Neste caso, não nos parece que a resposta se possa dar, antes de se pensar um bocadinho: na verdade a construção das torres levou uns anitos, mas levou muitos mais para se tomar a decisão de demolição.

El Greco

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

O Turismo e as retretes

A maior diferença, e talvez aquela que melhor define o nosso turista Português e o distingue de todos os outros, é o facto de ele ter de tocar em tudo ao mesmo tempo que fala num tom acima dos 210 decibéis. Já assistimos a vários exemplos deste fenómeno, que hoje narramos aqui.


1- Com o Verão já a meio-gás, a nossa perplexidade mantém-se quando constatamos as diferenças entre os turistas das diferentes partes do mundo e o nosso turista continental, ao qual, carinhosamente, resolvemos chamar “Português”.
As diferenças começam de baixo para cima. No calçado, o Português distingue-se logo dos demais pelo facto de não usar meia branca com chinela ou sandália. Não senhor! O nosso turista prefere a sandália em contacto directo com a pele, pois assim consegue matar dois coelhos com uma só cajadada: primeiro obtém um eficaz arejamento dos pés e, além disso, consegue afugentar as moscas e os mosquitos com o odor que emerge dos buracos das sandálias.
Continuando a subir, também nas pernas há diferenças... os outros turistas têm muito poucos pêlos nas pernas. Já o Português tem mais pêlos só na perna esquerda do que os outros turistas têm no corpo todo. Isto para não falar de outras zonas nas quais também tem pêlos que nunca mais acabam, como por exemplo no... no coiso, no... no nariz. Claro que se exceptuam algumas nórdicas que só nos sovacos têm mais “tufo” do que o português na perna esquerda, capaz mesmo de enrodilhar e gastar o fio do melhor aparador de relva da Black&Decker.
Mas a maior diferença, e talvez aquela que melhor define o Português e o distingue de todos os outros turistas, é o facto de ele ter de tocar em tudo, ao mesmo tempo que fala num tom acima dos 210 decibéis.
Já assistimos a vários exemplos deste fenómeno. Ainda no outro dia estávamos a caçar gambozinos nas Cal-deiras das Furnas, quando vimos um belíssimo exemplar no seu estado mais natural: camisa aberta, pêlo no peito, fiozinho de ouro, bigode, barriguinha, careca e unha de limpar os ouvidos. E dizia ele:
“Ó Aldina” - que era a mulher - “o guia diz que estes buracos são muito quentes!”
“Ó! Não são nada.” - diz ela a assobiar os “SS”.
“São, são, olha... ‘tou a botar a mão num e ela já está a ficar toda pelada! Ah que giro, é mesmo quente!”
“Já biste Tónio? Afinal o que o homem dizia era mesmo verdade: o buraco é mesmo quente.”
“Olha, tira uma foto que é para a gente mostrarmos à bizinha a temperatura disto”
“Ah… que pena, essa ficou com o fumo à frente…. Vou tirar outra! Psst, Sr. guia, será que podia soprar no fumo a ber se não sai na foto?”
Ou ali para os lados das Sete Cidades:
“Esta aqui é uma Juniperus brevifolia, é uma espécie endémica muito rara”, - diz o guia.
“Ó Manéla, o homem diz que essa flor aqui é muito rara, não é tão bonita?”, constata o marido ao arrancar a planta.
“Traz um pezinho para gente plantarmos no nosso terraço… e traz de vez outro para a gente darmos à tua irmã Carlota que ela gosta muito de flores. Ai que os Açores são tão lindos!”

2- Para além do turismo, também as festas e festivais fazem parte do Verão. Esta é a época dos grandes espectáculos, é o Festival do Sudoeste, Zambujeira do Mar, o Vilar de Mouros, a Maré de Agosto, etc. Estávamos num destes Festivais e reparamos naquelas casas de banho azuis, aquelas portáteis sempre tããão higiénicas, e o nosso cérebro, sempre a fervilhar de ideias, lembrou-se: É uma empresa que aluga aquelas casas de banho para Festivais, concertos, casamentos, baptizados, funerais, enfim, para qualquer sítio onde se junte muita gente com vontade de fazer chichi, não é? Pensamos logo a seguir, quem terá inventado esta empresa? Não sabemos quem foi, mas deve ser o orgulho dos pais. “Ah, o meu máivelho é advogado, o do meio é engenheiro, e o máinovo aluga retretes… é a luz dos meus olhos, aquele petchéno!”.
In Azórica nº 16, Jornal dos Açores, Edição de 3 de Setembro, 2005

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