segunda-feira, 7 de novembro de 2005

PROME(R)DIA p´ra isto?!...

"Doce ou partiiida?"
Nós, sempre estudiosos e numa busca incessante pelo conhecimento, decidimos avaliar as dissemelhanças entre as várias zonas de S. Miguel através dos mais pequenos e descobrimos que a tradição do "Trick or Treat", típica do Halloween, (a)varia de terra para terra.
1 - Quer queiramos, quer não, os Açores são um mini “melting-pot” no meio do Atlântico. Micaelenses são diferentes dos terceirences, graciosenses diferentes dos picorotos, florentinos dos corvinos, etc. Mesmo dentro de uma ilha, as diferenças entre localidades são por vezes abismais, cultural e socialmente. Por vezes, as disparidades vão até à própria pronúncia que evoluiu de maneira diferente ao longo dos tempos e consoante a localidade.
Estas diferenças culturais são visíveis, inclusive, no “Halloween”, costume americanizado que cada vez mais substitui o nosso já pouco católico “pão por Deus”. Isto das tradições culturais versus globalização tem muito que se lhe diga. São uma faca com dois “legumes”, como diria o Pacheco, esse grande intelectual da bola.
Nós, sempre estudiosos e numa busca incessante pelo conhecimento, decidimos avaliar estas dissemelhanças e descobrimos que a tradição do “Trick or Treat” (a)varia de terra para terra.
Em Ponta Delgada, batem à porta e dizem “doce ou partiiida”. Mas por exemplo, ali para os lados da Calheta, que também é Ponta Delgada, quando um colega nosso abriu a porta, só viu uma faca e alguém gritar “um doce ou a vida!”.
No Livramento, ouvimos “hê senhora, dá-me um rebuçado, vá lá, vá lá!”, mas em São Roque, mesmo ao lado, quando a mãe de um colega nosso abriu a porta ouviu “hê senhora, o meu pai já gastou o Rendimento Mínimo numa Playstation e agora a gente não tem dinheiro para comprar rebuçados, tenha pena de nós. Uns Ferrero Rochês ou uns Mon Chéries devem dar”.
Finalmente, na Candelária é “Pão por Deus, queira Deus / Ponha a tia na saquinha / Seja tudo por Amor de Deus” e, em Rabo de Peixe, a batida na porta é seguida por “não queres dar um doce? Arrebento-te toda!”. A variedade cultural micaelense é uma coisa muito bonita!

2 - Também não se sabe muito bem se vai ser uma doçura ou uma travessura a mudança nos financiamentos aos OCS regionais anunciada pelo governo. O novo Programa de Apoio à Comunicação Social está em discussão e tem levantado ondas de descontentamento ao ponto de já ser designado por muitos de PROME(R)DIA. Nós associamo-nos a essa onda de contestação porque, como cronistas, estamos solidários com os restantes colegas. Não queremos ser os bodes “respiratórios” dos problemas da Região. Não vamos admitir o desaparecimento dos apoios básicos à compra de papel para impressão dos jornais (vai-se escrevinhar onde? Nas paredes, nos wcs… nos rolos de papel higiénico?). Não vamos permitir o fim do apoio nas despesas de acesso às fontes de informação (até porque as nossas fontes trabalham em condições miseráveis, às vezes na rua, outras vezes nas esquinas ou em cubículos onde mal entra a luz).
Dispensamos as novas formas de ajuda para a aquisição de equipamentos e programas informáticos! Já toda a gente tem computadores e software pirateado. Queremos manter vivas as edições “imprimidas”, “impressadas” (raios, onde é que está o dicionário?)! Os novos produtos multimédia ou meios de informação on-line, esses não prestam, têm vírus e falta-lhes o cheiro das tintas e … não servem para embrulhar os chouriços fumados das nossas avós... Quanto ao apoio à formação profissional acham que é preciso mais? Então com tanto curso na U.A de comunicação e afins. Agora só falta é praticar, acompanhando o governo nas visitas oficiais!
Nós somos um grupo muito simpático e “hospitalar”, mas quando a mostarda nos chega ao nariz, pensamos logo ou é hambúrguer ou cachorro quente. Vamos aguardar livres e serenos, mas haja o que “hajar” não nos hão-de calar (só se … pronto nada!).
In Azórica nº25, Jornal dos Açores, Edição de 5 de Novembro, 2005

1 comentários:

Gado Bravo 07/11/2005, 16:39:00  

uma colega minha disse que um puto na ribeira grande lhe tinha deixado uma mossa na porta porque não lhe deram doces. hihihih.
estas gentes não estão para brincadeiras, é o verdadeiro festival de loucura!
afinal a noite é mesmo de terror. ;)

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